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Friday, 22 April 2016 09:57

Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente! Assim, porque você é morno, não é frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca.” (Apocalipse 3:15-16) Tenho algumas amigas que pensam muito, absurdamente, completamente diferente de mim, porém, conseguimos manter um bom relacionamento. Por quê? Ninguém é obrigado a concordar com ninguém, em primeiro lugar. Depois, acho realmente importante que qualquer que seja seu ponto de vista, que você o defenda com unhas, garras e dentes. Gosto de pessoas que se posicionam diante da vida. É isso. Gosto de pessoas quentes ou frias, mas as mornas... E então, o respeito. Ah! O respeito... Hoje, vemos isso em todos os cenários da vida: político, profissional, escolar, pessoal, familiar. Muitos não querem se envolver, querem ser “políticos”, agradar todo mundo, não causar discussões. Eu abomino isso. Acho que sempre abominei, desde criança. Há varias visões de mundo e desde que embasadas em fontes sólidas, são válidas. Fundamental é ter uma visão e embasar. Só isso. O que não desce é a baixa autoestima, que não permite que as pessoas se abram, se revelem, mostrem seus pensamentos, porque “precisam” ser legais com todo mundo e nunca podem desagradar a ninguém. Precisam desesperadamente de aceitação. Há aqueles que realmente não possuem opinião formada sobre nada, e nesses casos, a situação é ainda mais grave. Pessoas têm opiniões, vivências, experiências, impressões, sentimentos. Cadê?! Somos indivíduos, e como tais, somos únicos. Uma das maiores e mais maravilhosas descobertas da minha vida foi bem cedo, com uns dois anos (segundo minha mãe), que foi quando descobri que eu era livre em meus pensamentos. Podia até “concordar” com ela para não ser castigada por algo, mas em minha mente, continuaria tendo o meu, só meu, pensamento (pense na alegria dela com minha descoberta!). Quer liberdade maior que essa? Somos livres em nossos pensamentos e isso é fantástico! Podemos e devemos pensar e nos expressar. Por que não? E melhor ainda: ninguém precisa concordar conosco. Se tolhermos a liberdade alheia de pensar, de que serve nossa própria liberdade? Então, basicamente, cada um que pense como quiser. Seja quente ou frio. Mas seja. Pense! Posicione-se!

Friday, 08 April 2016 10:01

  Essa semana, assisti um filme muito interessante chamado “O guardião de memórias”, que me fez refletir bastante sobre nossos sentimentos em relação à vida e ao mundo.

No filme, mostrava uma sociedade pasteurizada, sem emoções profundas, onde todos eram diariamente medicados justamente para que não sentissem. As emoções eram rasas.

Havia somente um Guardião de Memórias que guardava todas as memórias que antecederam aquela sociedade e ele as passava para seu sucessor.

Assim como havia memórias agradáveis, da neve, do barco, do mar, havia memórias doloridas como a morte de elefantes e pessoas.

Eu, particularmente, gosto de sentir. Quem somos nós para bloquear o sentir?

Sentir envolve o bom e o mau. Faz parte da vida. Quem sente alegria, sente tristeza; quem sente amor, também é capaz de odiar e assim por diante.

O sentir faz parte da vida.

Minhas dores são profundas e vividas em cada centímetro cúbico, percorrendo cada espacinho de toda a extensão da dor. Assim também é a alegria. Cada momento feliz dura cem anos de tanto que eu sorvo aquele evento.

Prefiro mergulhar de cabeça numa dor, qualquer que seja ela, e ficar perto do fim da vida, chegando a sentir o hálito da morte em minha nuca, mas recuperar-me num tempo curto, do que ficar adiando, massageando, tentando driblar a dor.

Quanto antes sentirmos, antes digerimos e antes revivemos.

Claro que há pessoas que precisam, por um motivo ou outro, ser medicadas, mas muitas acabam por tomar psicotrópicos indiscriminadamente e acabam por deixar de sentir as emoções da vida.

Primeiro: não se auto medique.

Segundo: Permita-se sentir. Sim, rir, chorar, gritar, explodir, gargalhar, amar, sofrer.

Vale à pena blindar o coração e os sentimentos para não sentir ou sentir menos?

Minimizar os sentidos não minimiza também o bem e o bom?

É tão bom viver a vida com todas as suas cores e tons.

Adultos medicados, crianças medicadas, vidas e almas medicadas. Quantos momentos estamos perdendo?

Quanta realidade estamos deixando de viver?

Quantas delícias deixamos de sentir todos os dias? Quantas dores são embaladas à vácuo e deixadas no freezer de algum recanto distante dos nossos corações?

Por que não sentir?

O que precisamos provar?

Sobrevivemos aos dias mas não sobrevivemos à vida.

É isso?

Não para mim. Obrigada.

Garçon! Traz mais uma dose de vida que estou com sede!

Friday, 26 February 2016 11:56

Quem tem um pouco mais de “experiência”, para não dizer idade, ainda é capaz de lembrar do ardor causado pelo Merthiolate, que é um anti-séptico para ferimentos. Eu, moleca que era, vivia ralando os joelhos, cotovelos e o que mais conseguisse, e não sei o que era pior: a dor do ferimento ou o ardor do Merthiolate. Ainda ouvia da minha mãe que “se ardia era bom porque estava matando as bactérias”...

Ela nunca assoprava, o que na época, eu achava sádico, mas hoje sabemos que era sábio, afinal, quando se assopra uma ferida, podemos infectá-la ainda mais com as bactérias presentes na boca. Enfim, cair primeiro doía e depois ardia.

Com o tempo, o Merthiolate criou uma fórmula que não arde. Não arde. Com o tempo, não permitimos que nossos filhos sintam nem o ardor do Merthiolate, nem os ardores da vida. Estamos criando uma geração que não sabe o que é ardor, fome, sede, espera, paciência. Carregamos um kit completo anti “pitis” na bolsa, com água, bolachas, celular, tablet, caderno, lápis, analgésico. Nossos filhos não podem esperar. Esperar meia hora, quarenta minutos por uma comida? Jamais! Dez minutos por uma água?

Não! Não podem ir a restaurantes sem espaço para crianças porque não suportarão a permanência no local. O que estamos criando? Nossas esperas foram boas e até hoje a vida nos ensina a esperar. Certamente, nesse exato momento, você está esperando por algo: uma cura, uma promoção, uma ligação, comprar uma casa, um carro, uma viagem, engravidar, um namorado, qualquer coisa. Você está esperando. E sua mãe não tem a solução de seus problemas na bolsa dela... As crianças devem e podem esperar. Nós, co

mo pais, temos a obrigação de ensiná-los a esperar porque temos que prepará-los para a vida como ela é. A criança tem uma necessidade, fica chata, não temos paciência e damos o que ela quiser. Qualquer coisa. Ferrari? Paris? Gucci? Qualquer coisa, mas pare de birra!

E assim, nossa baixa resistência aos apelos dos filhos nos levam ao erro. Nada mais arde. Nem Merthiolate. Na verdade, tudo continua ardendo, apenas damos-lhes a falsa sensação de que nada mais arde, de que tudo é imediato. É isso que queremos ensinar? Reflita.

Friday, 04 March 2016 09:54

Ela dirigia pela estrada, ouvindo rock para acordar. Admirava o céu, suas nuvens esculpidas e os raios de sol. Abre um chiclete azedinho. É bom, mas sempre a faz salivar demais. Desliga o ar condicionado e decide abrir os vidros para que seus cabelos balancem ao vento. Isso é liberdade: carro, rock, estrada, vento e pensamentos a correr.

Ela canta junto com a música, faz uma performance meio estranha e descoordenada, dançando com seus ombros. Ela está sozinha. Uma música a faz lembrar do passado, então os pensamentos voltam no tempo. Tantas coisas, tantas emoções. Logo a música muda e ela começa a planejar o dia, pensar no melhor caminho, com menos trânsito, escolhe sua rota e vê um avião decolando. Ela sempre sorri ao ver um avião decolando. Pronto.

O pensamento já vai para os lugares que ela sonha ainda conhecer. Faz planos, pensa nas férias, lembra do dólar e desiste. Próxima música. Poxa! Ela gosta tanto de cantar! Poderia ter nascido com uma voz bonita... Mas ninguém tem todos os dons... Mas já que ninguém mais a está ouvindo, canta a plenos pulmões.

Quem liga? Lembra-se de seus amigos e arruma mil soluções para a vida deles. Lembra que tem que passar o telefone do médico à amiga e desmarcar o dentista. Dá dois goles na água que costuma carregar consigo, olha seu cabelo no retrovisor e pensa que seria legal cortar uma franja de novo. Na verdade, ela queria uma franja e pintar o cabelo de pink, mas não pode. A profissão não deixa. Sabe que esqueceu alguma coisa, mas não sabe o que pode ser... Ah! O pen drive! Bom, tudo bem, nada mortal. Melhor que esquecer a escova de cabelos ou o batom.

O resto ela dá um jeito. E vai sonhando com o futuro, planejando, fazendo planos, reais, irreais e surreais. Lembra-se da outra amiga e faz uma oração por ela. Que tudo fique bem. Chega ao seu destino, olha pro espelho e sorri. Como é bom ser livre! Como é bom ter um tempo para si.

Como é bom esse tempinho que passa consigo mesma. Pega a “tralha” toda, desce do carro, endireita a coluna, levanta a cabeça e agradece pela vida. Deixa seus problemas no carro. Nunca os leva para o trabalho. Lá eles não têm acesso. Pede a benção de Deus e vai. Vai para o trabalho com aquele sorriso no rosto que só as pessoas seguras têm. Livre. Feliz.

Monday, 18 January 2016 10:31

Uma mesa barulhenta, quatro moças conversando. Risadas e planos.

Como é bom ter vinte anos e fazer planos! Como é bom acreditar em planos!

Com o tempo aprendemos que o rio da vida segue seu curso e às vezes, ele afoga nossos planos, às vezes desvia-se deles, às vezes os irriga, às vezes os contraria e muito às vezes, concorda com nossos planos.

Claro que devemos sonhar e planejar algumas coisas, mas quando já adquirimos uma certa experiência de vida, sabemos que não dá muito para planejar cada passo.

Plantamos as sementes, mas elas podem brotar ou não. De repente podem gerar até mais frutos.

Não há pessimismo nisso, há realismo.

Com o passar dos anos, sonhamos sonhos mais tangíveis.

Talvez, se eu tivesse escrito as linhas da minha vida, as coisas seriam bem diferentes, mas seriam melhores? Piores?

Há um versículo que gosto muito que diz: “Muitos são os planos no coração do homem; mas o desígnio do Senhor, esse prevalecerá” (Provérbios 19:21)

Podemos e devemos fazer planos e ter sonhos que nos movam, porém, quando os entregamos a Deus, confiando, o melhor acontece.

Cabe a nós o acordar, o trabalhar, o estudar, o levantar, o fazer.

Que possamos sonhar sim, fazer nossa parte sim, mas sabendo que a vida possui seus propósitos.

2016 está à porta, pronto para chegar e certamente, você já começou a fazer seus planos.

Quais são?

Espero que seu ano novo seja maravilhoso, próspero, feliz, cheio de saúde, união, amor e felicidades. Que os rios e ventos da vida não te abalem, mas que suas raízes sejam firmes na fé. Que aconteçam coisas surpreendentemente boas, que todo o mal passe bem longe de você e de sua casa.

Que mesmo quando seus planos forem frustrados, que você saiba sentir o cuidado lá do alto.

Que sejamos mais humanos, mais amigos, mais solidários e compreensivos.

Que nossos pensamentos e ações sejam bons.

Que nosso país sobreviva à crise e que seus negócios prosperem.

Que seus dias sejam doces, seus caminhos suaves, sua disposição e vontade sem fim.

Esforça-te!

Deus abençoe a cada um de vocês!

Abraços,

 

Clemance K.F.C. Garcia.

Friday, 04 December 2015 11:39

Num mundo onde cada vez mais a juventude é reverenciada, a velhice é deixada de lado, desvalorizada, renegada, banida, excluída.
Na era da mega exposição estilo Kardashian em que vivemos, com plásticas, selfies, bicos de pato, as rugas, os cabelos brancos, os birotes e o pior, a sabedoria, são esquecidos.
Gosto de ver gente envelhecendo bem, de forma ativa, com alegria e disposição.
Sempre que vejo alguma senhora arrumada, de brincos, batom e uma roupa escolhida com cuidado, como se a vida ainda importasse, eu comento com meu marido: “Que linda!”. Que gostoso ver isso!
As três lindas que me inspiraram a refletir e escrever sobre isso são: a minha avó Tereza, a Dona Ana (do Pesqueiro Santo Agostinho) e a Dona Cida (da Stalden).
Minha avó é demais! Sempre disposta, não tem preguiça de nada, caminha muito mais do que eu (vergonha de mim), é inteligente, sempre sai com um colar, batom, roupinha combinando e o principal, é um poço de sabedoria ambulante. Aprendi e aprendo muito com ela. É muito bom termos pessoas que nos ensinem, orientem e amem ao nosso lado. O único defeito é a grande teimosia, mas enfim, explica de quem “puxei” isso...
Te amo vó!
A Dona Ana e a Dona Cida são duas fofas, atendendo aos clientes sempre com alegria, agilidade, disposição, vontade, sorriso. Não tem tempo feio, não há cara feia, não há a má vontade que muitos jovens possuem em atender. Dá gosto de ver.
Temos tanto a aprender, tanto a valorizar, tanto a assimilar! Desde receitas, dicas sobre o lar (como tirar manchas), até conselhos sobre a vida em geral.
Quem trilhou mais estradas sabe onde elas podem dar, não é?
O que são as ruguinhas e os cabelos brancos perto de tanta lindeza assim?
Se os meus quarenta (!!!!!) já foram libertadores para muitas coisas, imagina o que deve ser ter oitenta anos? Deve ser sensacional! A vida, enfim, com menos ansiedade, menos pressa, menos peso, menos cobranças.
Mas, infelizmente, muitos idosos acabam sendo deixados de lado pelas famílias ou quando estão com os familiares, passam como fantasmas ainda com vida, sem voz, sem direito de expressão, sem atenção e cuidados. Que triste.
Vamos aprender com os idosos. Que não seja a “melhor idade”, mas sim, a “bela idade”, porque é linda mesmo.
Diz um ditado africano: “Quando um idoso morre é como se uma biblioteca inteira tivesse queimado”.
Vamos valorizar nossos idosos, ouvir suas histórias, fazer um carinho, dar um abraço, mostrar o apreço e gratidão que sentimos, afinal, amanhã, estaremos no lugar deles e seremos tratados pelos nossos assim como os ensinamos a tratar aos mais velhos...

 

Thursday, 19 November 2015 11:54

Essa semana, eu e meu marido completamos dez anos de casados.

Outrora, não seria grande feito, porém, numa época de descasamentos, completar uma década é fato raro.

As pessoas estão cada vez mais impacientes, independentes e querendo mais.

Não é fácil a manutenção de uma relação. Quantas lombadas, buracos, pneus furados tivemos? Inúmeros, porém, o amor sempre superou e consertou tudo. Qualquer corte, asa quebrada e joelho ralado foi cicatrizado. O amor, nesse caso, cura tudo.

Caramba! Construímos (do zero) muito juntos. Principalmente, uma família, um lar, que é o mais importante.

E daí vejo tanta gente querendo um “homem com barriga tanquinho”, um ricaço que dê um cartão de crédito sem limites, um “reprodutor”, um pai, um cachorrinho, um top model, quando tudo que deveriam querer seria um companheiro para a vida.

Sinto pena. Até porque sei que as verei (assim como vi tantas outras) ou sozinhas daqui um tempão, ou casadas com a “mina de outro”, mas infelizes e amargas. Isso acontece.

Claro que tem que haver compatibilidade, atração física, química, mas deixar-se levar somente pela aparência exterior dos outros é superficialidade demais. Isso acaba.

Pior ainda? Muitas bruxas procuram príncipes...

Como cobrar a perfeição de um homem se nem você é perfeita? (E isso serve para todas as mulheres).

Esperam demais e assim os anos passam e passam e quando se derem conta... já foi.

Ou apostam tudo no cara rico e quando se dão conta, vêem que tudo que nos sobra dessa vida é o amor.

Se estando com quem amamos, às vezes, a relação é difícil, imagine sem amor?... Deus me livre!

Sem falar de toda uma mulherada que resolveu conhecer pessoas pela Internet...

O companheiro para a vida você encontrará ao vivo e a cores, não pela Internet. Na Internet tudo que você achará será mentira, engodo, falsidade, traição e gente louca.

Com absoluta certeza tem gente discordando mortalmente de mim nesse momento e eu queria lembrar que cada um fala de suas experiências. Se você teve boas experiências, sorte e raridade a sua. Eu duvido.

O mundo tem tanta gente legal. Por que você seria a única frigideira sem tampa? Ou será que muitas tampas apareceram e você não quis nenhuma? Um risco na tampa, o pegador rachado, o metal riscado... Sempre há uma desculpa para não aceitar uma tampa.

E os dias vão passando e a vida vai passando.

Não, ninguém pode esperar a felicidade do outro, senão, ao invés da relação ser divertida, será maçante, cheia de ciúmes e agressões, mas é bom que as pessoas não fiquem sós. É bom ter um companheiro para a vida.

Há quem deseje permanecer solteira para sempre e tudo bem com isso. Que bom. Mas muitas dessas pessoas que são “solteiras convictas” apenas querem acreditar que aquilo é uma escolha. De certa forma é mesmo, porque a pessoa está escolhendo demais, adicionando adjetivos demais à lista.

E aí? Que tal começar a olhar para as oportunidades maravilhosas que a vida te dá ao invés de olhar para as oportunidades maravilhosas que você queria ter?

A vida revela-se perfeita com seus acasos e imperfeições. Confie. Acredite.

A tampa da sua panela pode estar bem mais perto do que você imagina.

 

Texto: Clemance K. F. C. Garcia

Friday, 25 September 2015 18:24

Paro por alguns minutos no terraço, o vento friozinho da noite passeando por meus cabelos, arrepiando minha pele.

Tempo seco, estrelas num céu sem nuvens, lua a sorrir, observando cada um de nós, bisbilhotando nossas breves e complicadas vidas. Encontro as “Três Marias”, lembro-me de promessas desfeitas, palavras jogadas ao vento; vento este que me cobre e me acaricia.

O som das folhas secas chacoalhando, dançando com o vento, fazem-me pensar sobre a efemeridade da vida. Quantas folhas secas já dançaram ao vento? Quantos sonhadores já aplaudiram sua dança? Quantos loucos já passaram tantos momentos assim observando a lua, as estrelas, as folhas e a noite?

O sino dos ventos faz sua música perfeita, numa sinfonia afinada com as folhas e os grilos. Sino toca, coração bate, dia acaba, sono chega. Observo meus pés e penso em quantos chãos já pisaram, quantos caminhos andaram, em quantas nuvens de sonhos já caminharam...

Sonhos noturnos, diurnos, encantados e desgraçados. Sonhos perdidos, desfeitos, esquecidos, contidos, permitidos, desaforados, medrosos, ousados, vividos, executados, realizados, pensados, chorados, paridos.

Latidos distantes, folhas se mexendo, cabelo voando, coração sentindo.

Quais folhas cairão amanhã? Haverá vento? Haverá dança? Haverá tempo?

De repente, o corpo vira uma esponja, de ventos e sentimentos, sentindo tudo que me cerca, tudo que me toca, tudo que me chega.

Não sei quanto tempo resta desta breve e passageira vida... preciso sentir o vento, o tempo, as folhas, as danças, sentir cada sentimento.

Imagino um cálice transbordante do doce vinho da vida e quero bebê-lo todo, embriagar-me, encher-me de vida, de vento, de danças, de risos. Ponho a mão em meu peito e sinto o coração batendo.

Ah coração! Quantas desventuras, quantos momentos, quantas causas ganhas, quanto sofrimento. Esqueça dos maus e lembre-se dos bons momentos. Calor, sol, beijo, flor, doce, amor, carinho, pipoca, pirulito, queridos sentimentos. E amanhã? Haverá amanhã? Como será? Depende de mim, do vento, das danças, das folhas e do tempo? Não importa. Importa dançar. Sempre. Com ou sem vento.

Onde terminarão os sonhos? Importa começar a sonhar, começar a escrever, começar a viver. Cada dia, todos os dias.

E por fim, o coração se aquieta, a mente se acalma, o corpo se rende, a pele se esfria, a cama me chama.

Despeço-me da lua, das estrelas, do sino dos ventos, dos grilos, das folhas. Elas seguirão com sua dança e eu seguirei o momento...

Friday, 25 September 2015 18:20

Encontramos, muitas vezes, companhia para sair, passear, conversar, diversão. Mas quantos de nós encontramos companheiros de sonhos? Sim, é preciso sonhar e quem sonhará conosco? Quantas vezes nos vemos sonhando sozinhos?

Às vezes, é bom ter sonhos concretos, como fazer uma faculdade, fazer aquela viagem, aquela plástica, comprar aquele carro, que são coisas possíveis, que exigem planejamento.

Mas como é gostoso sonhar alto, coisas impossíveis (se bem que nada é impossível...), coisas bobas e até infantis!

Quantas não sonham com um príncipe encantado? Quantas não sonham com o que fariam se ganhassem na Mega Sena acumulada sozinhas? Quantas não pensam no que fariam se fossem as mulheres mais ricas, belas e inteligentes do mundo? Quantas não sonham com as estrelas?

Estamos num mundo de duras realidades, vivendo uma crise dura de desemprego, juros altos, dívidas, doenças e isso acaba endurecendo um pouco as pessoas. 

Sonhar o quê? Mas é preciso sonhar. Sempre. Ainda mais agora.

Se não sonharmos, o que será de nós? Esmagados pela dureza da vida, nos tornaremos frios, sombrios, pessimistas, com olhos somente para o chão. Temos que olhar para o alto. Sempre digo que se um dia eu parar de sonhar, já morri.

Não há vida sem sonho.

Precisamos manter viva aquela criança que acredita no impossível e em contos de fadas. Ela precisa de doces e pirulitos.

Dia desses, almoçando fora, minha filha estava brincando com bolhas de sabão. Estava lá, toda feliz com suas bolhas e as pessoas caminhavam por entre ambas sem nem perceberem. Aquilo me chamou muito a atenção.

O que houve com as pessoas que não sorriem mais quando veem bolhas de sabão? 

Você ainda sorri? Parece que alguns caíram no mundo cinza das más notícias do mundo, tornando-se insensíveis ao belo, ao simples, ao terno, ao infantil.

Por que não se divertir mais com a vida?

Às vezes, uma música engraçada faz a gente dançar feito doido pela cozinha ou no carro; às vezes, fazer castelos de areia faz a gente esquecer de todas nossas obrigações chatas da vida adulta; às vezes, assoprar bolhas de sabão pode nos relaxar, nos alegrar, nos fazer brilhar como o sol que brilha no reflexo furta cor da bolha de sabão. Por que não?

Já me culpei por às vezes conseguir me divertir como uma criança ou uma adolescente doidivanas. Hoje, vejo que isso me mantém nos eixos e no equilíbrio dessa vida louca e corrida, cheia de responsabilidades e tarefas inadiáveis, chefes, relatórios, horários...

Como sobreviver sem sonhar?

Como sobreviver sem bolhas de sabão?

Quem vai sonhar comigo? Quem traz o arame dobrado em círculo? Quem pega o sabão?

 

Friday, 25 September 2015 18:15

Lembro-me muito bem do sentimento que tive quando o meu filho Gabriel ainda era bebê e eu me perguntei: “O que quero para ele?”. Apenas respondi a mim mesma: “Quero que ele seja feliz”. Sem reticências, sem vírgulas, sem “mas”, sem limites. Quero apenas que meus filhos sejam felizes.

No fundo, acho que todos os pais desejam apenas a felicidade, mas por motivos que só Freud explica, querem que seus filhos sejam felizes segundo as suas expectativas de felicidade. Quantos pais queriam ser médicos e agora cobram isso dos filhos? Quantos filhos querem ser atores e acabam sendo engenheiros por determinação dos pais? Hoje em dia, vemos muitas crianças querendo apenas ser crianças.

Natação, futebol, jiu-jitsu, inglês, espanhol, mandarim, aramaico, música, artes, capoeira e se sobrar tempo, terapia. É, porque cedo ou tarde, essa criança ficará tão estressada com o número de atividades, que invariavelmente, vai cair nalgum divã.

Criança deve sim fazer atividades extra-curriculares, mas por que tantas assim? “Porque o mercado de trabalho de hoje exige que as pessoas tenham muitas habilidades” será a resposta mais freqüente.

Mas você sabe com o que essa criança trabalhará? Você sabe se ela gosta de cada atividade que faz ou faz somente por imposição? O que será “importante” daqui a vinte anos para o mercado de trabalho?

Talvez eu esteja equivocada, mas vejo tudo de uma forma mais leve. Há muito tempo para essa galerinha se preparar.

Não há muito tempo aos trinta, mas há muito tempo aos cinco, oito, dez ou doze.

Vemos esses concursos de beleza infantis na televisão e francamente, é triste de ver. Mães que gostariam de ter sido modelos ou misses enfiam logo cedo as meninas no furacão das vaidades. Dieta, cabelo, maquiagem, coisas que não são fáceis nem para nós, mulheres adultas.

Quando meus filhos eram bebês, nem sapatos eu não colocava. Pra quê? Não caminhariam! Terão a vida inteira para calçar sapatos. Poupei. Da mesma forma, penso em relação a tudo isso que tenho visto.

Criança quer brincar, subir em árvores, pisar na grama, jogar videogame, brincar com cartas Pokémon, bonecas.

E quantas crianças só conseguem brincar com a presença dos pais??? Isso me choca.

Criança brinca sozinha ou com outras crianças e eventualmente, brinca com algo que tenha interferência de algum adulto.

Brincar não é perder tempo, é aguçar a criatividade, é imaginar, sonhar, dividir, somar, pensar! Vamos rever agendas, deixar brincar. Vamos fazer com que as crianças adquiram habilidades que não são aprendidas em escolas. Vamos criar filhos mais leves.

Criança não precisa de tudo isso. Criança precisa primeiramente sentir-se amada, depois precisa que permitam com que ela seja criança. Só isso.

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