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Friday, 06 May 2016 11:38

Não sei se sou patriota demais, mas costumo nadar contra a corrente dos “negativistas” no Brasil. Ah, claro! Antes que me esqueça, sou de oposição ao atual governo.

Estava eu, em uma segunda-feira chuvosa lendo um artigo espanhol – do periódico sediado na bela cidade de Madrid – El País, e me deparei com um artigo intitulado: “Leve desaceleración – El efecto de la crisis global sobre España aconseja cambios fiscales y laborales”.

Que a Espanha não anda bem das pernas, isso é de conhecimento de todos. Ou melhor, de quase todos!

Espanha que surgiu com um notável desenvolvimento econômico na década de 1990, sentiu fortemente o impacto da crise econômica mundial iniciada em 2008. Além do desemprego, o PIB contraiu 3,7% em 2009, teve crescimentos tímidos ou irrelevantes em 2010 e 2011 para em seguida sofrer outra retração de 1,3% em 2012. O desemprego chegou a 26% no País e é hoje considerado por economistas como o maior caloteiro da história.

Até hoje (2016), os espanhóis sofrem com o elevado índice de desemprego – principalmente entre os jovens. A dívida pública continua elevada e o baixo desempenho da economia assombra a terra de Amaia Salamanca (se você não a conhece, jogue no Google).

Mas só os Espanhóis estão nesta situação? Claro que não!

“O mercado de trabalho está chorando mais do que uma reforma orientada principalmente para diminuir as receitas e diminuir as demissões.” (OpiniónEl País.) 

Países Europeus como Grécia, Itália, Irlanda e Portugal não vivem seus melhores momentos. Para os Irlandeses a taxa de desemprego é de 9,7%. Na Itália, 12,4%. Em Portugal 13,0%. E na Grécia incríveis 25,6% – ou seja, mais de um quarto da população sem emprego.

E para aqueles que pensam que os EUA já nasceram como “a maior potência do mundo”, se enganam.

Em torno de 1776 começa a história de domínio americano com sua independência, reconhecida pelos Britânicos poucos anos depois no Tratado de Paris, após o fim da Revolução Americana em 1783.

Lembro-me, de um professor que dizia que o patriotismo dos americanos começou aqui, na Guerra de 1812 ou Guerra Anglo-Americana.

Em 1865, um grande exemplo de recuperação de sua economia após os estados do Norte terem vencido a Guerra de Secessão e readmitem os sulistas na união dos estados americanos. Em 1876 última grande guerra contra os indígenas que se opunham à colonização de suas terras. A vitória americana estimula a expansão populacional rumo ao oeste, com novos territórios abertos à agropecuária. No final do século XIX, amparada pela mecanização, a produtividade das colheitas explode, após a criação de uma malha ferroviária de “primeiro mundo”. Em 1898, conquistam Porto Rico e as Filipinas, antigas colônias Espanholas. Na virada para o século XX, é considerada maior potencia mundial e não contente, a industrialização se espalha de forma monstruosa pelo país...

Ufa! Deixe-me respirar!

Início do século XX, 35 milhões de Europeus imigram para os EUA, fortalecendo a força de trabalho e contribuindo para o vigor econômico. Em 1917, ganham prestígio militar ao desempenhar papel importante nos campos Europeus. Em 1941, entra na segunda guerra mundial no momento mais oportuno, e a conversão da indústria americana para a guerra resulta em importantes avanços tecnológicos e econômicos. A partir de 1946, empresas americanas são impulsionadas com o repasse de tecnologias militares e com a abertura do mercado europeu na reconstrução do continente.

Guerra Fria, crescimento das tensões diplomáticas e militares entre as duas superpotências militares da época, os Estados Unidos e a União Soviética, explosão demográfica e início dos movimentos dos direitos civis e feministas também contribuíram para o crescimento.

Fora a Guerra da Coréia. O poder de Eisenhower. A crise dos mísseis de Cuba. Martin Luther King – o homem do ano em 1964 pela revista Time...

O fato é que nós Brasileiros temos o péssimo habito de achar que só o Brasil tem problemas.E que estes problemas são insuperáveis. Pasmem! Já pensou se o tio Sam tivesse desistido no primeiro “não” que ele tivesse ouvido na frase clássica: we want you for U.S. army?

Passamos sim um dos piores momentos econômicos de nossa historia, mas abaixar a cabeça e se contentar não vai adiantar. Nosso país tem a maior das riquezas – o Brasileiro – e devemos nos lembrar todos os dias disso.

 

Diego Vedovato Fortuna

Administrador de empresas. Cientista Político. Estudante de Relações Internacionais.

Autor do livro “Um lugar para Morar”. Presidente do Projeto “EU Poliglota”.

 

 

Friday, 26 February 2016 17:12

Abrindo uma destas Revistas Brasileiras, destas que fazem listas das melhores empresas para se trabalhar, para crescer profissionalmente e para blá blá blá, pude ler uma nota que sempre pensei não ler em vida no Brasil. (...) Bom, sou fã de colunistas do mundo todo. Em especial alguns do The New York Times como Charles M. Blow, Roger Cohen, Gail Collins e Ross Douthat. Claro! Sem me esquecer de Holman W. Jenkins e Mary Anastacia O’Grady do The Wall Street Journal, e estes sempre levam assuntos de utilidade pública à tona. Nas eleições Presenciais dos EUA, para se ter uma idéia, Bernie Sanders (Senador Americano do estado de Vermont) criticou Hillary Clinton (Presidenciável pelo Partido Democrata nos EUA) sobre seu anterior apoio à "Lei de Defesa do Casamento" - uma lei que definia o casamento como sendo entre um homem e uma mulher - que o então presidente Bill Clinton assinou na lei em 1996 após ter sido aprovado por um Congressista Republicano. Desta forma, dificultava e restringia o acesso e contratação de pessoas homossexuais ou casais homoafetivos nas empresas Americanas.

Algumas empresas no Brasil já estão se adequando – incluindo parceiros homoafetivos nos convênios de saúde e odontológico, seguro de vida, previdência privada, licença-maternidade e paternidade. Isso quer dizer que duas mulheres podem ter o mesmo direito de ter licença-maternidade e cuidar de suas crianças por seis meses em casa. Podem também, desfrutar de homeoffice quando necessário para amamentar ou algo relacionado à saúde tanto do bebê como das mães. Isso quer dizer também que dois homens sendo homoafetivos têm o direito à licença-paternidade de forma integral.

Enquanto algumas empresas se preocupam e perdem tempo com preconceitos tolos e superficiais, outras crescem de forma desordenada esquecendo e deixando a crise lá para trás. Empresas Americanas, por exemplo, estão muito a nossa frente não só na economia, tecnologia e/ou sustentabilidade, mas também em assuntos como este, e ler que nosso País está pelo menos pensando parecido, já deve nos encher de muita esperança!

Ah Sim! Estamos evoluindo!

Diego Vedovato Fortuna

Administrador de Empresas. Cientista Político e Estudante de Relações Internacionais.

Autor do Livro “Um Lugar para Morar.” Presidente do Projeto “Eu Poliglota.”

Saturday, 13 February 2016 12:04

Parece-me que o novo presidente da Argentina não estava brincando quando levou consigo o slogan de sua campanha contra a era Kirchner – “yo cambio.”

Faça um teste agora, digite Mauricio Macri no seu buscador preferido de internet e me responda aqui se há alguma matéria diferente por esses dias que não “Macri reduz impostos para aumentar salário de trabalhadores... Macri luta contra corrupção... Mauricio Macri traz de volta mais de 40 marcas para Argentina... Empresas voltam a investir na Argentina após vitória de Macri... Macri se afasta dos Bolivianos e quer aproximação com os EUA...”

Vem cá, ele é Macri ou é Chuck Norris?

Brincadeiras a parte, a Argentina se prepara realmente para uma grande mudança. Como já escrevi. Macri está chegando com muita força e o mais importante de tudo, com muita vontade.

Por aqui vamos seguindo, o réveillon acabou, o carnaval acabou, temos notícias de mais um ano de recessão e manchetes negativas e por ai vai. (...)

Vamos então assistir o que acontecerá por aqui e dando uma espiada na Argentina. Diz um amigo meu, que isso só pode ser reza do Papa – que também é Argentino. Eu não sei, mas sei que nós Brasileiros estamos com um pouquinho de inveja dos Argentinos!

Saturday, 30 January 2016 11:25

A palavra “crise” está na sociologia, na política, na economia, na medicina, no mundo dos negócios e em todos os jornais que assistimos neste começo de ano. É crise pra lá, crise para cá. (...) Demissões para lá e demissões para colá. (...)

Seria então, o fim de algo que nem começou para os jovens recém-formados? Claro que não!

Ter seu próprio negócio e aproveitar a maior fatia do bolo faz com que muitos jovens procurem por novas alternativas – com as chamadas franquias.

Certa vez, em uma de minhas andanças pelo mundo, mais especificamente nos Estados Unidos, me deparei com uma loja simpática que vendia arranjos comestíveis de frutas frescas - com doses generosas de chocolate e muito artesanato. Ao pesquisar sobre a história da marca (para minha surpresa), estava diante de uma das maiores franquias do mundo! Segundo a renomada revista Forbes, a franquia foi citada na posição 09 entre as 20 franquias mais seguras para investimentos do mundo.

Desconhecida dos Brasileiros, a rede que começou com a idéia de dois irmãos Paquistaneses, rende receitas anuais de 200 milhões de dólares! Exato caro leitor! Cerca de 800 milhões de reais a cada 12 meses.

Você ganharia mais que Cristiano Ronaldo, Gisele Bündchen e o casal Angelina e Brad. – quanta intimidade! Agora, se você não é bom de bola, não desfila muito bem e não tem desenvoltura perante as câmeras, e mesmo assim deseja ganhar dinheiro, as franquias são realmente uma boa opção para este cenário – não de “crise”, mas de “oportunidades!”

Ah! Antes que eu me esqueça, se alguém ler este artigo e se interessar pela franquia e me queira como sócio, dentro!

 

Diego Vedovato Fortuna

Administrador de empresas. Cientista Político. Estudante de Relações Internacionais.

Autor do livro “Um lugar para Morar.” Presidente do Projeto “Eu Poliglota!”

Monday, 18 January 2016 10:30

Ela era uma das mais aplicadas. Sempre atenta ao que estava acontecendo na empresa. Sempre atenta ao que estava acontecendo no Mundo. Lia. Lia muito. Sonhava. E sonhava muito! Sonhava em ser diretora. Importante. Rica. Famosa. Sair em capas de revistas, em iates, com taças de champagne e tudo mais. Ela era loira. De sobrenome meio Alemão. Meio Sueco. Descendente de uma pequena família do interior de Jönköping, na província de Småland. Gostava de esquiar. Gostava de correr na neve. Gostava de ser feliz. Ela era uma pessoa simpática. Sorridente. De bem com a vida. Levava seu trabalho a sério. Tão a sério que era apelidada de workaholic.

Dizia ela que não seria mãe – não antes dos trinta e cinco. E que a garota que engravidasse antes disso estaria maluca.

Aquele dia era um dia cinza. Frio. A neve tomou conta de todo o vilarejo, e foi quando ela descobriu algo que mudaria sua vida.

Ela havia conhecido um cara. Poucos meses atrás. Ela com vinte e cinco. Ele também. Um cara qualquer. Bonito. Atraente. E também de bem com a vida. E advinha? Sim, engravidou!

Disseram para ela que estava tudo acabado. Sua carreira. Sua vida. “Nossa! Acordar de madrugada para trocar fraldas? Nossa! Fazer a unha e pentear o cabelo? Esquece! Já era!”

A criança nasceu. Linda! Parecia um anjo!

Ela se afastou do trabalho. A licença maternidade é diferente em cada país pelo Mundo. Na Espanha, por exemplo, a mãe tem direito a 16 semanas de licença-maternidade e durante este período ela continua a receber o salário de forma integral. A lei também contempla este período descanso para filhos adotados. Na Inglaterra, o total são 52 semanas, 26 semanas chamadas de Ordinary Maternity Leave e outras 26 semanas conhecidas como Additional Maternity Leave. No Líbano, a licença maternidade era de 60 dias, mas, o Parlamento libanês aprovou em Maio de 2014, uma extensão desse período, que passou então a ser de 70 dias, com salário integral. E na Suécia, país conhecido por ter uma das políticas de bem-estar mais generosas do mundo, a licença parental de 480 dias é remunerada e os pais podem dividir igualmente para cada criança, justamente para ter uma melhor igualdade e educação dos filhos.

O fato de fazer esta jovem de 25 anos deixar de pensar em coisas supérfluas e pegar-se imaginando horas a fio como seria a pele, os olhos, o cabelinho, o sorriso (mesmo que banguela e engraçado) do bebê que virá a nascer. O fato de fazer uma jovem torcer e desejar muito que o neném nasça perfeito. De sair às ruas e só ver mulheres grávidas. De fazer esta jovem virar especialista em achar o neném no meio de todas aquelas manchas do ultra-som. O fato de fazer uma jovem comprar livros e mais livros sobre gravidez e só ler os capítulos de “Cuidados com o bebê” – pulando então o capítulo do “Parto”. O fato de fazer uma jovem ir ao shopping só para comprar coisinhas de neném – e bater o recorde em horas gastas em lojas que estava acostumada. O fato de descobrir uma incrível capacidade de sentir todas as emoções em uma hora, da alegria descontrolada ao mau humor sem fim. O fato de rir sozinha ao sentir o bebê mexer, mesmo que ele te acorde várias vezes durante a noite, porque você não esta numa posição confortável para ele (...)

O fato de fazer uma jovem de 25 anos acordar antes da meia noite. Dar mamá. Acordar pela madrugada. Dar mamá. Acordar novamente pela manhã. Dar mamá. Deixar o pequerrucho com uma babá – de confiança ou não – ou com os pais. De ir trabalhar com o coração na mão de deixá-lo. De sentir saudades daquele cheirinho. Contar as horas para que as próprias horas do dia passem rapidamente para novamente pegá-los nos braços. E ainda ter que agüentar uma jornada cansativa de trabalho enquanto outros jovens da mesma idade o pressionam para outras inclinações, os tornam mais fortes! Mais preparados! Mais maduros! Mais responsáveis! Mais humanos! Acreditando mais em um mundo melhor. Em uma empresa maior. Em mais oportunidades. Em mais crescimento (...)

Esta jovem superou seus medos. Voltou para empresa. Apaixonou-se novamente, não por um cara boa pinta do setor ao lado, mas por ela mesma. Deixou o blá blá blá corporativo para lá e seguiu em frente.

Ela foi promovida três vezes em três anos, tornando-se a mais nova líder no setor em que trabalhava. De Analista Junior foi à Sênior. De Sênior a Manager I. De Manager I à Business Development Manager II. Ganhou prêmios, nascionais e internacionais. Foi elogiada, apareceu novas revistas de negócios, talk shows e tudo mais! Foi de BDM II à Branch Manager. De Branch Manager à Country Manager. E ao completar seus 37 anos, de Country Manager à Vice-Presidência.

Para aqueles que acham que aquele cheirinho de bebê, pele macia. Aquele sorriso inesperado. Saber que aquela pessoinha está te esperando após o trabalho – com um abraço apertado e sincero daqueles que não quer nada em troca a não ser um beijo no rosto, atrapalha uma jovem e sua carreira profissional, estão muito enganados, a vida segue, segue firme, segue alegre, segue intensa e muito mais prazerosa!

 

Diego Vedovato Fortuna

Administrador de Empresas. Cientista Político. Estudante de Relações Internacionais.

Autor do livro “Um lugar para Morar”. Presidente do Projeto “Eu Poliglota”.

Friday, 11 December 2015 12:12

A vitória do ex-prefeito de Buenos Aires e ex-cartola do time de futebol Boca Juniors Mauricio Macri, candidato de oposição na últimas eleições na Argetina representa muito mais que uma simples vitória de oposição. Representa uma força descomunal contra o comunismo na América Latina. Seus 51% de total de votos contra 48% de Daniel Scioli derrotaram os mais de 10 anos de reinado da família Kirshner.

A Argentina então prepara mudanças não só de presidente, mas também de perfil político. Macri nada se assemelha a ao bigodinho de Raul Alfonsín. As costeletas de Carlos Saúl Menem.Muito menos a carequinha simpática de Fernando de la Rua. E por isso, o jovem Argentino está positivo e confiante.

O jovem hoje na Argentina encontra dificuldades para encontrar o primeiro estágio e consequentemente o primeiro emprego. Claro, uma educação defasada e sem investimento. Existem poucos programas de incentivo e bolsas de estudos. A inflação Argentina bate os 30%. O desemprego juvenil mais de 18%.

Restam poucas opções para os jovens e muitos acabam tentando a vida fora do país ou nos gramados, afinal, a Argentina é uma das grandes exportadoras – de jogadores de futebol.

Tenho alguns amigos na Argentina – Victor Gil, Mariela, Henrique (...) – todos jovens e esperançosos com este cenário de mudanças. Acreditando no “yo cambio” de Macri. Acreditando que o país possa voltar a crescer – como há muito tempo não vemos. Acreditando em melhorias de políticas públicas – como há muito tempo não vemos. Em oportunidades para os jovens – como há muito tempo não vemos. Acreditando na luta contra inflação. Contra o desemprego. Narcotráfico. Contra a alta do dólar – como há muito tempo também não vemos. Acreditando na redução de gastos públicos. Na geração de novos empregos trazendo investimento nacional e internacional. Acreditando no resgate da confiança de empresas estrangeiras. Na estabilidade financeira. Acreditando na melhoria educação. Das Universidades. Das condições de trabalho – como há muito tempo não vemos. (...)

Mauricio Macri, em sua campanha eleitoral, dizia que o Brasil seria o primeiro país que visitaria em caso de vitória. Para se aliar a Presidente Dilma? Negativo!

“Será mais difícil negociar comigo do que com Cristina” – disse ele em entrevista para o El País.

A vitória do Macri aparentemente fortalecerá o que ele considera como a ala pragmática do governo Dilma: o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e os ministros de Agricultura e de Desenvolvimento, Kátia Abreu e Armando Monteiro.

Isso porque a aposta do Macri será pelo livre comércio (mesmo com a Argentina sofrendo em breve uma desvalorização do peso) e pela vinculação com os blocos mais dinâmicos da economia mundial, entre eles a aliança TransPacífico.

Resta então, nós jovens Brasileiros torcermos por mudanças aqui no Brasil – seja neste pacote ou não – e sonhar com o dia em que darei control C control V no parágrafo que escrevi acima. Apenas alterando o início da frase, como:

– Tenho alguns amigos no Brasil – Bruno, Alex, Priscila (...) – todos jovens e esperançosos com este cenário de mudanças. Acreditando que o país possa voltar a crescer – como há muito tempo não vemos. (...)

Friday, 27 November 2015 11:58

O poeta, romancista e ensaísta da língua polonesa, ganhador do Nobel de literatura Czeslaw Milosz, sempre achou escrever um ato político. Nasceu em família de ascendência polonesa na Lituânia, época em que o país pertencia ao Império Russo. Viveu em Vilna e Paris, onde absorveu as ideias estéticas e políticas dos circuitos de vanguarda. Faleceu em Cracóvia em 2004.

Milosz era um ativista. De mente brilhante e invejada. Talvez um dos mais importantes escritores de toda a história. Durante a Segunda Guerra Mundial, Milosz passou à clandestinidade e combateu as forças de ocupação nazista em Varsóvia. Publicou poemas de resistência como o notável Canção Invencível. Depois da Guerra, com a derrota Alemã, o jovem poeta se juntou aos comunistas e se tornou diplomata. Revoltou-se, em seguida, ao ver as atrocidades do regime de Moscou e não se enquadrou ao chamado Realismo Socialista. Em Mente Cativa, uma obra em prosa escrita na França, trazia uma memória e análise política contra o Regime Comunista, e como nunca achou a França um país amigável com imigrantes, se mudou para Califórnia, onde se tornou professor Universitário de Língua e Literatura Eslava.

Milosz aproveitava seu intelecto invejável e a situação Política de países Europeus para escrever seus livros e poemas.

Já pensou se ele voltasse do passado para o seu futuro? Sim! Se ele voltasse de seu aconchegante túmulo na Europa Central, viesse passar uns dias no Brasil e encontrasse nosso cenário político atual?

O que pensaria Milosz a respeito do esquema de desvio de verbas do BNDES? Para quem não se lembra, foi um escândalo em meados de 2008 onde o motivo era a liberação de recursos para prefeituras junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

O que pensaria Milosz sobre a CPI do Detran? Do Dossiê da Pasta Rosa? O que pensaria Milosz da CPI Banestado? Do escândalo da SUDAM e SUDENE?

O que pensaria Milosz sobre o escândalo dos Correios? Sim, aquele mesmo onde deixou Roberto Jefferson famoso no Brasil todo.

O que pensaria sobre o Escândalo do Mensalão? Mensalão foi o nome dado ao escândalo de corrupção política mediante compra de votos de parlamentares no Congresso Nacional do Brasil.

O que pensaria Milosz sobre a Operação Faktor? Operação Tsunami? O que pensaria Milosz sobre o esquema do Plano Safra Legal? Escândalo do Ministério do Trabalho? O que pensaria Milosz sobre a Operação Lava Jato? Operação Zelotes? Pixuleco? Pixuleco II? O que pensaria Milosz sobre Fernando Collor? Que foi o primeiro – e até agora único – presidente Brasileiro a ter seu mandato impugnado.

O que pensaria Milosz sobre José Roberto Arruda? Renan Calheiros? Roseana Sarney e Eduardo Cunha? O que pensaria sobre Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma? O que pensaria Milosz sobre. (...)

Em suma! Acho que é melhor eu parar por aqui. (...)

Por essas e outras creio que se Milosz um dia voltasse de seu sono profundo, e então decidisse se inspirar no cenário político Brasileiro para escrever, teríamos mais uns 200 anos de poesia e talvez mais de 500 livros para devorar.

Diego Vedovato Fortuna

Cientista Político. Administrador de Empresas e estudante de Relações Internacionais.

Autor do Livro “Um lugar para morar”.